Sêo Dotô, Sêo Dotô!

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Zé Pelintra chegou.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A UMBANDA...

Sessões públicas e aspectos internos

O Movimento Umbandista da atualidade apresenta templos com ritualísitcas distintas e proporcionais a cultura e ao alcance consciencial do grupo em questão. Porém, muitos locais que se intitulam casas de Umbanda possuem práticas que pouco apresentam dos conceitos fundamentais da Umbanda, onde utilizam da ingenuidade e as vezes da maldade das pessoas para estorquir dinheiro ou fazer trabalhos pesados invocando o mais baixo sub-mundo para alcançarem objetivos torpes e alimentarem o ódio das pessoas que desavisadas acham que podem utilizar a baixa magia impunemente para atingir seus desafetos… 
quanta ilusão !

Logo, o leitor consciente que sinta afinidade com o Movimento Umbanda deve observar bem os rituais de uma casa de Umbanda antes de se ligar a tal organização.

E como saber se uma casa segue os fundamentos da Umbanda?

Em primeiro lugar, observe o ambiente, veja se existe uma profusão de muitas imagens desorganizadas pois, não somos contra as imagens e muitos precisam delas mas, até no aspecto estético, a desorganização de um congá ( altar ) é o reflexo da desorganização da casa espiritual.

Procure lugares cujo som não seja agressivo aos ouvidos onde, se houver atabaques que ao menos sejam tocados com harmonia principalmente nos rituais de incorporação porque, o som do atabaque estimula o atavismo guerreiro e o animismo vicioso, ou seja, o médium fica com sua percepção tão excitada que cai nos processos de auto-incorporação ou mistificação porque entra em transe mas não fica sob o controle de uma entidade espiritual e sim de seu subconsciente e, isso pode vir a desenvolver doenças físicas como a labirintite, a arritmia cardíaca, e outras no médium e, os consulentes por outro lado não serão orientados e direcionados corretamente .

Também, procure lugares positivos onde não utilizem matanças de animais pois, respeitamos tais práticas mas elas não são da Umbanda. E o único sacrifício que as entidades pedem é que as pessoas entreguem seu ódio, sua ignorância, seu egoísmo, sua preguiça, etc… Enfim são só essas coisas que as entidades querem tirar de nós. Mas, é verdade que determinados elementos como flores, frutas, doces, etc… podem ser utilizados magisticamente para obtenção de benefícios mas essa é uma forma mais sutil da magia onde basicamente você recebe o que você entrega ou oferece para as entidades espirituais logo, se você oferece doces, a entidade afim manipulará esse elemento e transformará em energia para você, te proporcionando alegrias mas, se você oferecer a agonia de um animal quem receberá esse sacrifício e o que você receberá em retribuição??

Assim, em um ambiente de paz e harmonia é que as entidades da corrente astral de Umbanda trabalham e quando não há esse cuidado, só o sub-mundo se sintonizará com os médiuns. E aí, corra quem puder correr...

Com base nessas recomendações iniciais o médium pode se filiar a casas de trabalho sérias e compromissadas com o ideal maior da caridade. Mas não se iluda, as casas de Umbanda são postos de socorro constantemente atacados pelo sub-mundo espiritual e o médium chefe ter muito cuidado para que entidades do sub-mundo espiritual não dominem sua casa de trabalho.

Para isso, existe a tronqueira na porta das casas de Umbanda. Ela costuma ser feita, como uma casinha de alvenaria onde são colocados elementos e materiais de fixação e desagregação afetos ao Exu Guardião relacionado com o médium chefe da casa.

E ressaltamos que dentro da Umbanda existe muita variação quanto a ritualística na dependência do grau consciencial coletivo dos agrupamentos. Mas, como um exemplo elucidativo, em um bom ritual de Umbanda, antes de iniciar a sessão de caridade, o médium-chefe defuma seus seguidores e firma seu congá, enchendo as taças de água ( condensadoras de energia), acendendo as sete velas relativas aos sete Orixás e fixando suas vibrações por meio da oração mental edificante. Depois, firma a tronqueira ou a casa de força do guardião, acendendo novamente a vela, que é o elo entre o físico e o astral, e coloca o aguardente para que o Exu Chefe da casa e para que todos os Exus, possam haurir esse elemento e fazer vibrar suas poderosas correntes higienizadoras e protetoras.

Após esses preparativos básicos, os consulentes podem ser defumados e recebidos no ambiente à eles destinado.

Nesse momento o panorama do ritual é o seguinte: A corrente de médiuns, todos vestidos de branco, está posicionada no congá. E tendo como referência o congá, ou seja, olhando do congá para a assistência, os médiuns femininos ficam, lado a lado, do lado esquerdo do congá e os méduns masculinos ficam do lado direito; Os consulentes estão sentados em seus lugares e o médium chefe faz a invocação ( pedido ) de cobertura para os Orixás e às entidades dirigentes da casa de trabalho.

Então, o médium-chefe faz uma palestra de abertura para que todos adentrem em uma sintonia espiritual positiva, e invoca a corrente das crianças de Umbanda, sob o som de pontos cantados com ritmos que transmitem alegria e renovação; Em seguida os médiuns incorporam e dão suas consultas, depois de encerrada essa gira há um intervalo de 10 minutos para recomeçar a nova gira e após esse intervalo a corrente de caboclos é invocada na casa espiritual e essas entidades incorporam e promovem seus trabalhos sob o som de pontos cantados de vibrações fortes e estimulantes; Notem que oss caboclos de Umbanda em geral, utilizam o charuto para defesa do médium quando incorporados. Após essa gira há um novo intervalo de 10 minutos e decorrido esse tempo, a corrente de pais-velhos é invocada no congá; E os pai-velhos quando incorporados utilizam o cachimbo e trabalham sob pontos suaves que induzem à espiritualidade.

Nesse momento, já observamos que a Umbanda imita a vida pois, a primeira sessão foi a das crianças que, representam o inicio da vida ou a infância, depois vieram os caboclos representando o auge, a maturidade, e por fim os pais-velhos que representam, a conclusão, a senilidade. Agora devem girar no templo, os Exus guardiões que representam a morte e o renascimento e que fazem o elo de ligação entre essa sessão de caridade e a próxima.

Então prosseguindo nossa descrição da sessão, depois da gira de pais-velhos há um novo intervalo e os Exus Guardiões são invocados e incorporam nos médiuns; Eles também utilizam o charuto e trabalham sob o som de pontos cantados fortes que falam sempre de justiça, de lei, de trabalho. Nesse trabalho os médiuns continuam com a mesma roupa branca que usavam e trabalham no mesmo local que trabalharam com as outras entidades porque, Exu é o executor da Umbanda e para ele é destinada a execução dos trabalhos espirituais orientados e ordenados, por criança, ou caboclo ou pai-velho. Logo, Exu vem para cumprir as ordens dos mestres espirituais da Umbanda e nunca para fazer o mal a quem quer que seja. Nesse aspecto ainda, podemos dizer que Exu não é bom nem mal pois, ele é um executor da justiça kármica e como diz o ditado: ‘ quem deve paga e quem merece recebe ’. E que não somos nós os julgadores, somos sempre réus pois, temos uma visão limitada das coisas. Portanto, devemos sempre pedir misericórdia ao Exu Guardião porque, como disse Jesus: ‘ No mundo não há um justo sequer ’.

E como último aviso lembre-se que não nos recordamos de nossos atos em vidas passadas, portanto, não julgueis.

Além dos aspectos externos, a casa de Umbanda funciona como um todo e deve possuir suas bases e diretrizes. E tal como a letra de um antigo ponto cantado de Umbanda que diz: ‘Umbanda tem fundamento e é preciso preparar ’; Assim, antes do trabalho público externo, os médiuns devem estar preparados vibratóriamente e psiquicamnte para que possam fazer uma boa e positiva sintonia com o astral. Para isso, são feitas giras internas onde são abordados os apectos de adestramento mediúnico e onde os médiuns novos da casa, aprendem e iniciam seus trabalhos mediúnicos; Também, são realizadas reuniões para o estudo da doutrina Umbandista, e encontros para a manutenção e limpeza física da casa espiritual.

A casa de trabalho deve refletir a harmonia espiritual, portanto, conversas sobre os problemas e as coisas da vida profana devem ser evitadas no templo que sempre é sagrado. E todos problemas espirituais ou não devem ser direcionados para o médium-chefe que deve orientar seus seguidores.

Enfim, o dia a dia do templo é a essência de uma casa espiritual e a sessão de caridade é o elo do templo com o mundo.


Eduardo Parra


Axé

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